
Estive nessa semana, num raro momento de pausa nas atividades escolares, participando das “Conversações Pedagógicas”, evento promovido pela Secretaria Municipal de Educação de POA.
Sem louvores a essa ou aquela administração, “Seminário Internacional” ou “Conversações Internacionais”, é irrelevante a denominação, o importante é que esse canal de interlocução entre universidade e rede pública sempre esteve aberto.
Escolhi assistir a conferência da historiadora Luzia Margareth Rago intitulado O VALOR DE UMA VIDA: CRIAÇÕES LIBERTÁRIAS E PRÁTICAS PARRESIASTAS.
A palestrante traz as idéias de Foucault para discutir os códigos morais universais e o papel transformador da mulher a partir do movimento feminista de 1968. Tantos outros movimentos nessa mesma época, como o movimento negro, a greve geral da França, a efervescência cultural e política, fizeram com que o mundo mudasse e valores e costumes fossem transformados. Porém o machismo, o conservadorismo e a direita também cresceram.
Foucault, preocupado com esse código moral, lembra que na Grécia a estética era cultuada como forma de vida, chamada de a estética da existência ou a arte do viver. Havia um “cuidar de si” que tornava o indivíduo belo, equilibrado, controlado, temperante e livre das paixões. Esse seria um sujeito apto para governar pois, não que não tivesse paixões, mas não se escravizava por elas.
Esse “cuidar de si” dos gregos, tornou-se inviável nos dias de hoje porque não é possível estabelecer uma relação positiva com o corpo, por exemplo, quando a sociedade, em âmbito mídiático e modal impõe seus padrões de beleza.
Não podemos ficar em paz com nossas celulites.
Por fim a palestrante fala em “parrésia”, palavra que se opõe à retórica. Segundo a historiadora, o vocábulo tem o seguinte conceito: falar franca, pública ou privadamente, quando se está em posição de inferioridade ou em situação de risco. Um exemplo seria criticar o próprio chefe utilizando-se de argumentos parresiastas, mesmo pondo o próprio emprego em risco.
Enfatizo o destaque dado ao valor de estabelecermos em nossas relações as práticas parresiastas para que possamos viver com valores pautados pela ética.