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quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
SOPA
A proposta da disciplina de Música era levar para a sala de aula, uma música brasileira, diferente das que tocam repetidas vezes nas rádios escutadas pelos alunos.
Levei para a sala o CD de uma coletânea do grupo Palavra Cantada. O grupo foi criado em 1994 por Sandra Peres e Paulo Tatit com o objetivo de produzir músicas infantis modernas que fossem ao mesmo tempo lúdicas e poéticas.
A sala de aula foi organizada só com cadeiras. O espaço no meio da sala ficou reservado para que pudéssemos executar “o passo”.
O Passo é um método de Educação Musical criado por Lucas Ciavatta, publicado em 2003 e, atualmente, utilizado no Brasil e no Exterior.
Logo após ouvimos a música “Sopa”, do grupo Palavra Cantada. Os alunos escutaram com muita atenção. Alguns lembraram de que haviam assistido, em 2006, um espetáculo do grupo no Salão de Atos da UFRGS.
Pensei em levar duas colheres para que cada aluno tentasse marcar o ritmo da música. O ideal é que as colheres fossem de madeira, mas como esse recurso era impossível, levei as de inox disponíveis no refeitório da escola.
Os alunos vibraram com a idéia de bater com as colheres! Logo que começamos a atividade, um aluno do grupo virou as colheres de costas uma para a outra e, passando um dedo por entre os cabos, batia as colheres em forma de concha na palma da mão. A partir da idéia dele, todos os alunos foram virando as colheres e batendo na palma da mão.
Produziram muitos sons, em alguns momentos acompanhando a música e em outros não.
A música foi ouvida repetidas vezes em sala de aula. Essa atividade teve a duração aproximada de 1 hora.
Depois de encerrada essa atividade, o CD acabou ficando no aparelho e acompanhou o desenvolvimento dos trabalhos daquele dia.
Percebi que as crianças ficaram cantarolando as canções na ida ao banheiro ou ao refeitório, como fazem com as músicas que ouvem nas rádios. E a música que toca incessantemente na rádio, está dentro da escola, queiramos nós educadores, ou não.
Acredito que o papel da escola seja, não o de fechar as portas para o que vem de fora, mas sim o de apresentar ao aluno outras possibilidades no que se refere à música.
quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Porque você ouve tanta porcaria?
Vou explicar: A música é um produto e esse produto precisa vender. As gravadoras, que vendem o produto, é que determinam o que se ouve. Como? Repassando dinheiro ou benefícios aos profissionais de rádio, sob a condição de que certas músicas sejam tocadas com grande freqüência (famoso JABA). E então se cria um ciclo rápido de consumo musical, onde se ouve muito o mesmo artista/música, por um curto espaço de tempo. É o fast-food musical! Salvemo-nos disso!
Dizer que a mídia é poderosa e que ela manipula os nossos gostos e valores, não só não é conformismo, como é uma forma de nos precaver dessa manipulação, tendo em vista que, sabendo que isso ocorre, passamos a ouvir, ou a assistir, ou a ler com um minucioso cuidado.
Para despertar na sociedade essa prevenção, é necessário alardear e falar o óbvio, que também deve ser dito e repetido incessantemente até que a população acorde e enxergue a nossa sujeição diante dessa indústria de comunicação das massas. Por isso deixo aqui o meu recado: Chega de ficar ouvindo as mesmas músicas o tempo todo! O texto indicado na disciplina de Música na Escola, faz boa referência as rádios Ipanema e Unisinos. Que tal experimentar outras coisas? Que tal fazer diferente? Vamos alimentar a alma de boa música, começando pela criteriosa escolha da rádio. Só poderemos exercer uma influência positiva sobre nossos alunos abrindo um leque de possibilidades para momentos diferentes de apreciação.
Que tal mandar você mesmo nos seus desejos? Que tal conhecer outros gêneros, outras melodias, outros autores?
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