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terça-feira, 9 de junho de 2009

CONCEPÇÕES DE ÍNDIO


O texto OS ÍNDIOS NO BRASIL QUEM SÃO E QUANTOS SÃO extraído do Livro “O Índio Brasileiro: o que você precisa saber sobre os povos indígenas no Brasil de hoje” de Gersen dos Santos Luciano – Baniwa, deixa claro que a denominação índio ou indígena significa nativo, natural de um lugar. Porém, sabe-se que essa denominação é utilizada, desde os tempos de Cristóvão Colombo, para os habitantes do continente americano. A história nos explica que em 1492, partindo da Espanha rumo às Índias, Colombo, após enfrentar fortes tempestades, ficou com a frota à deriva, chegando a uma região que o navegador pensou ser as Índias. Desse acontecimento originou-se o nome dado aos habitantes encontrados pelo navegador: “índios”.
Assim, para muitos, essa denominação está carregada de discriminação e preconceito contra os povos nativos da região. A figura do índio representa um ser sem civilização, sem cultura, incapaz, selvagem, preguiçoso, traiçoeiro, etc...
A partir da década de 1970, com o surgimento do movimento indígena organizado, os povos indígenas do Brasil resolveram manter, aceitar e promover essa denominação genérica de índio ou indígena, como uma identidade que fortalece todos os povos originários do atual território brasileiro. Após essa mudança para uma marca identidária e multiétnica é que os índios passaram a se tratar como parentes. Esse novo termo de tratamento, não significa que sejam iguais, mas que compartilham de interesses comuns e, principalmente, simboliza a superação do sentimento de inferioridade imposto por aqueles que colonizaram essas terras.
Uma questão importante em sala de aula é a utilização do livro didático. Esse, às vezes, é o único material impresso disponível utilizado como fonte de informação. O mais comum é encontrar nos livros uma referência dos índios no passado. Como se eles fizessem parte de um tempo que não existe mais e existissem apenas em função das histórias contadas sobre a colonização. Seu papel fundamental na real descoberta das Américas, raramente é citado, ou abordado de forma verdadeira. O foco glorificante da história é dado aos europeus, supostos descobridores dessa terra. Seus feitos e descobertas, as complicadas e heróicas navegações, explicam a origem de uma região, na verdade “encoberta” pela hegemonia européia.
Enquanto enxergarmos o mundo através das grades da nossa cultura, ignorando as especificidades dos povos, como se todos falassem a mesma língua, e partilhassem de uma mesma cultura, estaremos negando a cultura de cada grupo.
À sua maneira, as culturas indígenas expressam os grandes valores universais. Nas solenidades das festas, no refinamento dos vestidos e na pintura corporal, na educação dos filhos, na concepção sagrada do cosmos, é manifestada a consciência moral, estética, religiosa e social.
Para acabar com o preconceito, é essencial mostrar e valorizar a diversidade étnica.

domingo, 31 de maio de 2009

SER NEGRO


Trabalho em uma Escola Municipal no extremo sul de Porto Alegre. A escola nasceu no interior de um assentamento feito pelo poder publico. As famílias que foram ali assentadas, em torno de 600, vieram inicialmente de diversas regiões, entre elas, algumas áreas de risco em Belém Novo e alguns moradores da orla do Guaíba.
A Escola atende em torno de 1.200 alunos e trabalha com os filhos dessas famílias que não são, em sua maioria, negras.
Atendemos na escola uma população de alunos negros muito pequena e ao contrário da maioria dos locais, um grande número de professores negros. Aliás, tínhamos até o ano passado, muitos professores que entraram pelo sistema de cotas.
Trago essas informações para tentar entender a admiração e surpresa dos alunos ao serem questionados sobre “ser um aluno negro naquela escola”.
Os cinco alunos que entrevistei, dentre 11 e 13 anos, ficaram muito surpresos com a minha pergunta, pois disseram nunca ter sofrido nenhum tipo de discriminação. As perguntas foram diretas e me preocupei primeiro em saber se eles tinham consciência de que eram negros. Perguntei: qual a tua cor? Todos os cinco responderam: sou negro(a). E continuei minhas indagações no sentido de saber seus sentimentos com relação à sua cor dentro da escola. Suas respostas permeavam sempre os mesmos significados: Como assim? Me sinto normal. Um disse: Não entendi! Repeti a pergunta detalhando-a um pouco mais e ele me retornou: me sinto bem! Continuei desenvolvendo diálogos diferenciados, com cada um, individualmente, de acordo com o desenrolar de suas respostas.
É bem certo que, de alguma forma, já devam ter sofrido alguma discriminação, visto que, o preconceito racial é ainda uma realidade. Em todas as conversas, no fundo, encontrei subjetivos pontos que me fizeram pensar nisso. E me chamou atenção a falta de consciência dessa situação por parte dos alunos que entrevistei.
Penso que o fato de haver uma porção significante de professores negros, talvez mascare a sensação de preconceito, haja vista a presença constante de atitudes voltadas para convivência entre negros e brancos dentro da escola. O dia 20 de novembro, dia da consciência negra, por exemplo, é uma data instituidamente significante em nossa escola. Um dia em que estimulamos uma mais complexa reflexão sobre o assunto. De qualquer forma, identifiquei nesses alunos uma naturalidade intrínseca referente à sua afro-descendência.
Dentre os aspectos que observei mais superficialmente, há um que chama bastante atenção. Dos cinco alunos, três expressam, através de características físicas, mostras de uma cultura diferenciada. Usam tranças, tererês e penteados que, de certa forma, os fazem assumir a sua negritude. Mas, diante dos diálogos desenvolvidos, percebi que isso não se dá de forma consciente. Faz parte, de uma moda sugestionada, onde se convencionou comportamentos iguais e padrões estéticos.
Dentro dessa ótica, destaco algumas dimensões afro-culturais visualizadas. Observei o movimento, caracterizado pela dança, percussão e ritmos que são elementos presentes no cotidiano escolar. A família dos citados alunos parecem também levar sua afro-descendência da mesma forma que os filhos, sem muita compreensão dos aspectos históricos e culturais que os envolvem. Posso dizer que isso é tão forte, que eles próprios geram preconceito contra si mesmos, pois, volta e meia escuto negros usando palavras que disseminam racismo. Isso reforça um pensamento historicamente incutido na consciência das pessoas. Creio que o ideais racistas conscientes, ou inconscientes possam estar escondidos atrás de fatores éticos ou morais, tacitamente acordados pelos educadores.